A Caixinha de Bugigangas, a Estratégia e o Futuro
"Como cheguei até aqui?"
Uma das premissas mais impactantes da vida é questionar de forma produtiva e se perguntar sempre: E se o problema não for esse?
Essa pergunta passou a fazer parte de quem eu sou muito cedo. Desde criança, tenho o costume de guardar uma caixinha de bugigangas com sobras de tecidos, fitas, botões, pedaços de coisas úteis, parafusos de todos os tamanhos — tudo que parecia aproveitável. De tempo em tempo, abria aquela caixinha e montava coisas novas com o que havia juntado.
A sustentabilidade e a recontextualização já haviam me apresentado suas infindáveis vantagens e benefícios — muito antes de eu saber que era isso que estava fazendo.
O que parecia apenas brincadeira era, na verdade, meu primeiro laboratório de inovação, recontextualização e criatividade aplicada. Muito antes de ouvir falar em gestão do conhecimento, inteligência empresarial ou ecossistemas de inovação, eu já praticava a arte de fazer mais com o que se tem.
Essa curiosidade me levou à faculdade de Administração, aos MBAs em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial pela COPPE/UFRJ e em Gestão e Inovação em Cidades Inteligentes pela FACENS. A certificação como Leader of the Future Professional veio como um reconhecimento de que o caminho fazia sentido.
O trabalho com mentorias de gestão de negócios se intensificou — e minha caixinha de bugigangas ganhou uma versão onboard no formato "modelo de apensar".
"Apensar"? Sim, isso mesmo. No dicionário, significa anexar uma coisa a outra; apender. E é exatamente isso que quero dizer.
Uma nova questão se apropriou desse modelo: E se você puder deslocar a centralidade de um contexto para outro patamar?
A centralidade mudou de coisas para pessoas que queriam as coisas. Para saber o que elas queriam, precisei conhecer seus desejos. E aprendi que elas se chamam partes interessadas — e são o centro de um olhar interessado.
Hoje, atuo com mentorias, facilitação e design de oportunidades e conexões estratégicas — para pequenos negócios, ecossistemas de inovação e Cidades Inteligentes.
O fio condutor de tudo? O mesmo da caixinha de bugigangas: conectar o que existe, dar novo significado.
A inovação não é sobre inventar algo do zero. É sobre rearranjar, recontextualizar e transformar o que já está disponível. É sobre olhar para uma pilha de retalhos e enxergar um brinquedo. É sobre olhar para um ecossistema e enxergar conexões.
E se o problema não for esse? E se a solução já estiver na sua caixinha de bugigangas?
Porque, no fundo, todos nós temos uma. E dentro dela, tudo o que precisamos para começar.