A verdadeira inovação social não está na tecnologia, mas em
um novo olhar. Entenda como o terceiro setor complementa os outros eixos da
sociedade e por que sua capacidade de adaptação é o maior trunfo para o futuro.
A sociedade é como estrutura que precisa de três setores
básicos para ter sustentação e proporcionar forma justa, inovadora e humana e
está dividida em três setores que funcionam como engrenagens, cada um com sua
lógica e seu papel.
- 1º
Setor: A Roda do Dever (Governo): Seu motor é o bem comum. Ele age
através de leis e serviços universais como saúde pública (SUS) e educação.
Sua força está na capacidade de agir em larga escala, mas sua fraqueza
está na demora, na generalização e na burocracia, o que dificulta ações personalizadas.
- 2º
Setor: A Roda do Lucro (Empresas): Seu motor é o retorno financeiro. É
ágil e eficiente, buscando sempre inovar para conquistar clientes. No
entanto, seu foco é o cliente que pode pagar, não o cidadão que precisa, o
que normalmente torna a desigualdade bem visível.
- 3º
Setor: A Roda do Cuidado (Organizações da Sociedade Civil): Seu motor
é a causa social, e seus maiores ativos são a solidariedade e o trabalho
voluntário. Ele atua onde os outros não chegam, com agilidade e
proximidade, sendo a "energia cidadã organizada" que transforma
indignação em solução.
O grande lance é que essas rodas não competem, mas se
complementam. O Governo deve financiar e regular , as Empresas podem ser
parceiras estratégicas , e o Terceiro Setor atua como o laboratório de
inovação social.
As organizações sociais compõem o chamado Terceiro Setor
(Roda do Cuidado) são verdadeiros laboratórios de inovação e de políticas públicas.
O Terceiro Setor não é definido pelo o que ele é (uma ONG,
um instituto, uma associação), mas pelo o que ele faz e por que ele faz e é a
materialização prática da empatia. É a compaixão saindo das redes sociais e
indo para o chão da comunidade.
Muitas organizações do terceiro setor nasceram dessas três
perguntas:
- "O
que incomoda você no mundo a sua volta?" 👉 A semente do Terceiro
Setor está aí.
- "O que você faria se tivesse tempo, recursos e um grupo de pessoas ao seu lado?" 👉 O projeto do Terceiro Setor começa aí.
- "Quem
você quer ajudar?" 👉 O público-alvo está aí.
As ações sociais também surgem do: "Como assim
não tem?"
As ações do Terceiro Setor são respostas criativas e
obstinadas a perguntas de indignação e amor. Elas nascem de um:
- "Como
assim essa criança não tem onde brincar?" 👉 Criação de uma
praça comunitária ou de um projeto de esportes educativos.
- "Como
assim esse idoso está sozinho?" 👉 Grupo de visitas e
companhia para idosos.
- "Como
assim esse rio está poluído?"👉 Mutirão de limpeza e
projeto de educação ambiental.
- "Como
assim esse artista talentoso não tem onde expor?"👉 Coletivo que organiza saraus e galerias abertas.
- "Como
assim não há livros para essas crianças?" 👉 Criação de uma
biblioteca comunitária debaixo da ponte.
- "Como
assim minha vizinha não tem o que comer?" 👉 Roda de pessoas
que cozinham e distribuem marmitas solidárias.
Todas as soluções precisam ter como foco:
- Testar
novas soluções: Muitas políticas públicas nasceram de projetos pequenos do
terceiro setor que deram certo.
- Oferecer
acolhimento: Onde o sistema é frio e generalista, o terceiro setor é
quente e personalizado.
- Mobilizar
pessoas: Transformam aquele desconforto de ver uma injustiça em ação
prática.
- Defender
causas: Lutam por direitos, protegem animais, preservam florestas, dão voz
a quem não tem.
O que muda se trocarmos Problema por Potencial?
Passaremos a enxergar a comunidade não como um conjunto de
carências, mas como um ecossistema cheio de talentos, habilidades e potenciais
subutilizados.
A inovação no setor social é, na verdade, um ato de
criatividade e de fazer a diferença. A verdadeira inovação está no
"olhar" e o fio condutor dessas ideias é a mudança de mentalidade:
- O
olhar que vê um ecossistema de potenciais em vez de uma "comunidade
carente".
- O
olhar que vê um problema sistêmico, não apenas crônico, esperando ser
redesenhado.
- O
olhar que vê um parceiro de co-criação, e não um mero
"beneficiário".
Essa mudança de mentalidade é o maior desafio, mais do que a
falta de dinheiro ou tecnologia. É preciso superar o "sempre foi
assim", o medo de errar e a rigidez. A solução é criar uma cultura de
experimentação: testar ideias em pequena escala, falhar rápido e aprender ainda
mais rápido.
A tecnologia deve ser vista como uma ferramenta que libera
tempo e recursos para o que realmente importa: o trabalho humano, relacional e
profundamente emocional. Por exemplo, usar a Inteligência Artificial para
automatizar relatórios permite que o assistente social dedique mais tempo às
famílias. A inovação não é o fim, mas um meio para um fim mais humano.
O Chamado para Ação: Por Onde Começar?
Não é preciso ser uma grande empresa para inovar. A inovação
começa com a pergunta: "Isso aqui pode ser mais fácil?". Você pode
começar com passos simples e práticos:
- Faça
um autodiagnóstico: Sua organização é fácil de encontrar, entender e de
doar para?.
- Comece
pequeno: Escolha apenas uma tendência e teste-a. Pode ser um chatbot
simples no WhatsApp ou um dashboard para mostrar os resultados das doações
em tempo real.
- Mude
a pergunta: Em vez de perguntar "Quanto vai custar?", pergunte
"Qual problema isso resolve?". Foque no valor, não no custo.
O futuro do setor social não será escrito por aqueles que
têm os maiores recursos, mas por aqueles que têm a maior capacidade de se
adaptar, inovar e se conectar. A inovação é a nova linguagem da compaixão, e
está na hora de sermos todos fluentes. O mundo precisa da sua coragem de tentar
diferente.
Até o próximo POST!